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98 – OH, FRONTE ENSANGUENTADA!
Oh, fronte ensanguentada, em tanto opróbrio e dor,
De espinhos coroada com ódio e com furor!
Tão gloriosa outrora, tão bela e tão viril!
Tão abatida agora de afronta e escárnio vil!
Quão humilhada pende a face do Senhor!
Não vive, não resplende, já não tem luz nem cor.
Oh, crime inominável fazer anuviar
O brilho inigualável de um tão piedoso olhar!
Estás tão carregado, mas todo o fardo é meu.
Eu, só, me fiz culpado, e o sofrimento é teu.
Eu venho a ti, tremente; mereço a punição,
Mas olhas-me, clemente, com santa compaixão.
Sê meu refúgio forte, meu guia, vida e luz.
Que eu sinta, vendo a morte, conforto em tua cruz.
Na cruz com fé me abrigo: ao ver que ao lado estás.
Eu me unirei contigo e vou dormir em paz.
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